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16 de agosto de 2016

Vamos parar de polarizar?, por Gislayne Muraro

Vivemos em um período em que tudo é polarizado:
Coxinhas X Petralhas,
Machistas X Feministas,
Veganos X Carnívoros,
“De humanas” X “De Exatas”.

Pois é….
O primeiro destes embates, dos “Coxinhas” e dos “Petralhas”, ficou bastante evidente no auge de nossa crise política – se é que este auge já chegou e já passou. Naquele momento, se você entendesse que deveria participar dos protestos do “Fora Dilma”, logo você era rotulado como um “coxinha”. E, se você preferisse ir aos protestos “pela democracia e contra o golpe”, porque entendia que o impeachment não era o melhor caminho ou por qualquer outra razão, também era rotulado, mas como um “petralha”.

E este, a meu ver, é justamente o grande problema desta polarização: os rótulos que ela cria ao colocar as pessoas não apenas em lados opostos, mas atribuindo a elas, em função de uma ou duas opiniões que tenham manifestado, uma série de outras características e opiniões que muitas vezes sequer tenham levantado.

Quem é “petralha” não é necessariamente a favor do comunismo. E quem é “coxinha” não é, necessariamente, alguém que tenha nascido rico ou que more em apartamento com varanda gourmet.

Da mesma forma, quem é vegano não vive, necessariamente, em uma comunidade hippie. E quem é carnívoro não é um sadista que fica feliz ao ver animais morrendo.

Mas esta polarização muitas vezes sugere coisas do gênero, generaliza e coloca todo mundo no mesmo balaio.

A última delas, que me motivou a escrever este artigo, foi em função da cerimônia de abertura das olimpíadas, quando vi a postagem de um artista que, aliás, admiro bastante, lembrando a todos que aquele foi um espetáculo criado por gente “de humanas”, o que gerou a reação imediata de engenheiros e técnicos, que responderam argumentando que suas áreas também haviam contribuído para o espetáculo. Pronto. Estava criado mais um embate.

E aí eu me pergunto: por que polarizar tanto? Por que colocar os outros em lados tão opostos? E por que SE colocar de forma tão oposta a quem tem uma opinião diferente da nossa?

A polarização é a mãe da inflexibilidade pois, a partir do momento em que algo ou alguém é rotulado com tintas tão marcantes, perde a noção de sua capacidade em adaptar-se, de analisar a situação e de, principalmente, mudar sua opinião em relação a determinado assunto. Afinal, como vou ser contra o impeachment se eu estou indignada com a corrupção? Ou como vou defender os engenheiros se eu admiro tanto os artistas?

E, como o mundo empresarial faz parte do nosso mundo e dos nossos relacionamentos pessoais, percebo que esta inflexibilidade está afetando também o ambiente de trabalho. Conversando com colegas de diversos segmento, é comum ouvir relatos de experiências em que percebe-se, em parte desta nova geração que está chegando ao mercado de trabalho, pessoas menos flexíveis em diversos aspectos – além de mais resistentes ao ouvir e entender as opiniões diversas – exatamente como acontece nestas discussões por política, gênero ou outras que citei.

Está presente em tudo e em todo o lugar: nas rodas de amigos, nas reuniões de trabalho e, principalmente, nas redes sociais – afinal, falar de longe e sem olhar nos olhos dos outros é sempre mais fácil.

Apesar de ser difícil mudarmos essa realidade, podemos começar mudando as nossas próprias atitudes. Sendo assim, eu te faço um convite: vamos parar de polarizar?

*Gislayne Muraro é formada em Publicidade e Propaganda com especialização em Planejamento e Gestão de Negócios e em Desenvolvimento Gerencial, além de ser Diretora na ADVB-PR.

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