28 de julho de 2016

Troque o seu cartão de visitas por um bom perfil no Linkedin, por Luiz Andrioli

Boa parte da minha infância se deu atrás de um balcão de farmácia. Foi lá, espiando meu pai vender remédios e perfumes, que comecei a prestar atenção nesta arte de se relacionar profissionalmente. Foi naquele mesmo balcão que vi a importância de um bom cartão de visita. E da maneira certa de entrega-lo, de inseri-lo na conversa de maneira casual e pertinente com o objetivo de venda. Meu pai não dava cartão para qualquer pessoa, visto que – para os conceitos seus da época – saia caro rodar um milheiro. Cada cartão distribuído precisava corresponder a uma boa venda no futuro. Somente clientes grandes, com contas certas e de remédios caros, recebiam aquele pequeno pedaço de papel couchê com letras serifadas no seu nome e uma logo pra lá de óbvia no gênero: uma taça com a serpente enrolada.

Hoje, algumas décadas depois, o comércio não é mais da família. Meu pai está aposentando e não distribui mais cartões. Por alguma herança da época, mantenho sempre perto da minha mesa de trabalho um fichário pequeno para arquivar esses pequenos pedaços de papel coletados em reuniões e encontros profissionais. Com o passar dos anos, este arquivo passou a ser quase um objeto simbólico. A cada fim de ano, eu o revisito e jogo fora os que não me serviram. Os contatos que renderam frutos foram registrados em outros suportes: whats app, agenda do telefone, Linkedin, Outlook etc .

Sabemos, mesmo que intuitivamente, que o cartão acaba sendo mais uma desculpa para o ritual de apresentação. Já se tentou fazer isso via transferência de dados pelo Bluetooth do celular, mas não pegou. Outro dia dei um cartão para um sujeito que o fotografou e me devolveu. Embora ele tenha dado uma boa desculpa ecológica, achei deselegante.

Falando em elegância, tenho visto com muito bons olhos o approach via Linkedin. Se o ambiente é um ítem fundamental para marcar o tom das conversas e das decisões de consumo (que o digam os shoppings e suas luzes e refrigeração agradáveis), nada mais natural do que ver boas relações profissionais sendo desenvolvidas em uma rede social com tanto conteúdo interessante. Porém, em se tratando do cultivo das relações, ainda notamos que grande parte dos profissionais ainda não têm no Linkedin a mesma maestria que mostram no tão arraigado ritual de trocar cartões.

Pouco se sabe desta rede social que tem sido cada vez mais usada para buscar profissionais no mundo inteiro. Como construir um perfil adequado? Quais informações devo destacar? Quais competências elencar? Quando devo recomendar um profissional? O que posso ou não posso escrever como opinião? Como abordar um possível empregador ou futuro parceiro de negócios?

Natural que ainda não tenhamos nesta rede social o mesmo traquejo que desenvolvemos em nossos encontros profissionais presenciais. São anos de experiência contra uma nova realidade que ainda está se desenhando. Mal nos acostumamos com as redes sociais ditas “de lazer” e já temos que dar conta de uma ferramenta que pode nos colocar em contato com profissionais que estariam à muitas portas de distância.

O fato é que a nossa marca pessoal não pode mais depender tanto daquelas velhas ferramentas que acompanharam profissionais como o meu pai durante toda a sua vida. O Linkedin pode ser o seu próximo cartão de visitas. Não dá para desprezar uma rede social com mais de 400 milhões de usuários ativos procurando a mesma coisa que você: negócios e oportunidades.

Luiz Andrioli é gerente administrativo da Escola de Comunicação e Artes da PUCPR, Grupo Marista, presta serviços como consultor nas áreas de marketing digital, comunicação, oratória e redes sociais, é proprietário da empresa Prosa Nova Marketing, Comunicação e Arte e colaborador ADVB-PR.

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