18 de outubro de 2016

Troca seu departamento comercial por um telemarketing?, por Ronie Pires

Não faz muito tempo, eu estava em um daqueles congestionamentos em São Paulo, com outros colegas de comunicação, rachando um táxi para o aeroporto.  Quando em uma conversa franca sobre nossas dificuldades, saudosismo e futurologia, nós descobrimos um ponto em comum (olha que tínhamos no carro três representantes de lugares bem diferentes). Então cravamos; Pelo andar da carruagem não vamos precisar mais do departamento comercial “físico”, na verdade vamos trocar o departamento, de nome e formato.

Como diz o título desse texto, sem querer ser muito chato ou idealista, vamos trocar tudo por um bom telefone (uma central na verdade), um poderoso servidor e um QI mais ou menos… Eu sei tanto quanto todos que trabalham na nossa função sejam em veículos de comunicação (principalmente) ou agências e prestadores de serviço em geral, que nosso tempo é curtíssimo. A tecnologia transformou nossa rotina, encurtou prazos, acelerou respostas e exigiu que todos nós nos adaptássemos a correria dos tempos modernos. Isso é bom? Para qualquer negócio? A velocidade ajudou a muitos, não vou nem começar a descrever os segmentos, mas, e nós da propaganda/publicidade? Como somos muitas vezes uma atividade meio (estamos entre quem quer vender e quem quer comprar) precisamos nos adaptar a velocidade que o mercado exige, mas a que preço? Ideia boa tem a ver com tempo também?!

Vou voltar ao departamento comercial. Quantas vezes sua equipe reclamou que não conseguiu apresentar o projeto ou a proposta? Que ficou esperando 1 hora para ser atendido? Que ouviu a frase “Manda por e-mail, vou dar uma olhada e depois te ligo…”. Quantas vezes isso acontece no dia a dia? Não vamos entrar no mérito de quando realmente estamos ocupados e não podemos atender. Mas que preço nossa estratégia paga (na verdade o cliente) pelo simples fato de não conseguir ouvir outra pessoa? Um profissional de fora, com outra visão ou uma opinião diferente da nossa sobre nosso negócio e o jeito de fazer as coisas?

Que riqueza nós agregamos no que fazemos quando só ouvimos o cliente e nós mesmos? Isso quando ouvimos. Tem certeza que todos estão preparados, nas duas pontas, para entender tudo apenas lendo um power point ou uma explicação vinda da caixa de entrada do seu e-mail? Isso quando não for via WhatsApp. Não conseguimos mais nos sentar, escutar quem elaborou aquele projeto, que ideia ele tinha em mente, qual a finalidade e os ganhos no final do processo? Pensar, contribuir na melhoria da ideia e ajudar esse projeto, mesmo que seja para dizer, talvez não seja a hora? Hoje estamos cada vez mais presos ao e-mail e ao smartphone. Decidimos as coisas lendo e quando conversamos não é mais frente a frente. A velocidade do nosso mundo nos atropelou, tornaram uma boa parte das coisas feitas de maneira impessoal, fria, apenas números. Se você é acionista de alguma empresa talvez seja melhor assim, mas não se esqueça de que a qualidade do trabalho realizado lá na base, pensado com calma e discutido um pouco mais, vai fazer o projeto ser um sucesso, com isso o lucro no final não é garantido apenas, é duradouro.

Nós estamos investindo nas pessoas que nos cercam? Nos departamentos de mídia, atendimento e marketing? Todos os projetos que saem das nossas mesas foram pensados no cliente de verdade? Pensados no mercado que ele se propõe a atender? Ou apenas adaptado de algum lugar e remodelado de uma prateleira? Isso também vai fazer a diferença entre você sempre ter tempo na agenda do seu cliente para ser ouvido. Ele sabe que vem coisa boa. Mas isso não é fácil. É uma luta entre a velocidade do resultado, a pasteurização dos processos e a quantidade de demandas que chegam à nossa mesa todos os dias, sempre “para ontem”. E nós vamos dando um jeito nas coisas e vamos  acostumando com isso. Vamos julgando os trabalhos e as pessoas pela velocidade e quantidade muito antes da qualidade, e parece que quando todo mundo faz isso ninguém mais percebe a diferença. Não tem como comparar, afinal tudo chega meio parecido mesmo, quem chega antes ganha vantagem. Como você prefere seu negócio? Quer sentar e conversar a respeito? Vamos fazer o um brain storm e checar o que pode ser mudado para melhor no seu projeto? Podemos até decidir que não é adequado, mas tanto você como eu terá certeza de que checamos tudo, todas as possibilidades, e saberemos que fizemos o melhor.

Hoje mais do que nunca estamos correndo, sendo pressionados pelo resultado e nem sempre sabemos o que deu errado naquele projeto (faltou tempo para avaliar). Você tem um tempo para me atender? Mas se preferir, eu mando por e-mail…

*Ronie Pires é formado em Ciências Econômicas, possui pós-graduação em Marketing, especializações em gestão de pessoas e projetos, tem formação de CEO/Diretores Gerais em Barcelona e é ex-presidente da ADVB-PR.

COMPARTILHE
Share on LinkedInShare on FacebookGoogle+Tweet about this on Twitter