30 de setembro de 2016

A era do algoritmo e a criação da bolha ideológica e da bipolarização do pensamento , por Carmem Muraro

Atire a primeira pedra quem, nos últimos tempos, não excluiu um amigo do seu Facebook, simplesmente porque essa pessoa discordou de sua opinião. Quem de nós não travou uma longa e infrutífera discussão, com palavras e expressões acaloradas, no seu “feed de notícias”, simplesmente porque, do outro lado, alguém ousou se colocar em oposição ao seu pensamento? Pois vivemos na era da bipolarização do pensamento. A era da bolha digital, onde não é permitido discordar, pelo menos não no sagrado espaço de nossa rede social.

Bem-vindos à Era Máxima do Algoritmo, que alguns, ainda pouco familiarizados com o termo, insistem em chamá-lo de “logaritmo” ou “algaritmo” (sic). Pasmem: já ouvi palestrante falando o termo errado. Aliás, já ouvi de um tudo.

Algoritmo não é um termo novo. Suas origens datam do século IX e teria surgido entre os persas. Mas sua popularização é muito recente e se deu por conta do mundo digital, invadindo o ambiente da Comunicação e do Marketing. De forma muito simplificada e sem a pretensão de descrevê-lo, a expressão nada mais é do que uma sequência de dados e informações para a execução de uma tarefa. Trata-se de instruções sequenciadas que permitem a redes sociais, games e aplicativos como Uber, Instagram, Facebook, Waze, Spotfy e o já popular, Netflix, para ficarmos somente nos mais conhecidos, nos entregarem conteúdo conforme nosso interesse. Seria impossível e desinteressante se recebêssemos 100% do conteúdo gerado por esses canais. Assim, criou-se uma forma de peneirar e nos entregar somente o que queremos ver.

O algoritmo proporciona ao usuário uma melhor experiência, entregando conteúdo que realmente temos interesse. Desta maneira, nos manteremos fiéis a determinada rede social que escolhemos. Se por um lado nos livramos do que consideramos pouco atraente, por outro lado restringimos cada vez mais o nosso universo do conhecimento. Acessamos, lemos e consumimos somente o que o famigerado algoritmo pré-determinou.

E, assim, vamos entramos numa bolha, nos isolando para viver o conviver com os mesmos. Com os iguais. Vamos nos tornando intolerantes com o diferente. Impacientes com o desigual. Restringimos nosso mundo a quem se assemelha conosco. Mais do mesmo.

*Carmem Murara: Gerente de Comunicação e Relacionamento do GRPCOM e diretora da ADVB.

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