25 de agosto de 2016

A comunicação e as novas gerações, por Marcos Giovanella

Falar sobre esse tema sempre me agrada bastante. Eu gosto de falar sobre isso porque a minha geração foi a última a nascer com um mundo offline e a primeira a crescer em um mundo digital. E trabalhar com comunicação nesse contexto, é ainda mais maravilhoso.

Bem, nos últimos anos temos presenciado incríveis mudanças no comportamento das gerações e todas elas foram causadas não só pela tecnologia, mas sim pelo contexto social atual.

A geração Z como tem sido chamada, é a primeira a nascer em um contexto onde a discussão sobre casamento de mesmo sexo acontece e em muitos países já é uma realidade. Para eles, o Presidente dos Estados Unidos sempre foi o Barack Obama e eles não tem a mínima ideia de como era o mundo antes dos ataques de 11 de setembro em Nova Iorque e antes da crise financeira de 2008.

Por eles não saberem como era ter uma casa que não tinha computador e que no mundo não existiam smartphones, fez com que essa geração tivesse um relacionamento único com a tecnologia. Em uma pesquisa recente da empresa inglesa Trajectory, foi apontado que mais de 70% desses jovens assiste diariamente mais de 2h de vídeos no Youtube e tem uma relação incomum com as webcelebriddes. Isso explica o crescimento e o surgimento de estrelas da Internet, que produzem seus próprios vídeos e engajam um sem número de seguidores todos os dias nos mais diferentes aspectos: Compras, estilo, inspiração e por que não, aceitação. É uma geração que é muito mais sujeita a exposições digitais e ao cyberbullying.

Outro mercado que chama muito a atenção é o de eGames. Ano a ano é um mercado que cresce absurdamente em cifras e mais recentemente tem arrastado milhões de pessoas para grandes arenas para assistir aos jogos de equipes de jogos como o LOL, que nos últimos anos também tem sido transmitido pela TV a cabo. É ou não uma coisa incrível?

Essa relação que essa geração tem com o Streaming video tem assombrado as redes de TV do mundo todo, no Brasil, ainda temos um outro player correndo por fora e tentando roubar no jogo. As telefônicas com medo de perder mercado estão tentando alterar a forma de consumo e cobrança de internet, uma vergonha.

Outro aspecto que me chama muito a atenção, e que eu acho incrível, é a questão de gênero. É sério, isso me deixa muito feliz por ter uma possibilidade de viver em um mundo mais inclusivo. Recentemente temos visto os esforços das marcas para não sexualizar os brinquedos para as crianças, afinal de contas, por que um menino não pode e não deve brincar de lavar a louça e de casinha com suas irmãs, primas e outros amiguinhos? Por que as meninas não podem jogar bola, praticar artes marciais junto com outras meninas, irmãos e primos? A Mattel, dona das Bonecas Barbie também lançou uma coleção com bonecas que não são mais somente loiras, altas e magras. Agora temos as Barbies com a cara e o corpo de todos os estilos de mulheres, isso é maravilhoso.

E para finalizar esse papo, o mais recente lançamento que movimentou milhões de pessoas: Pokémon Go. Acho que todos aqui já perceberam como esse jogo tem nos mostrado como o mundo dessa geração não tem fronteiras entre on e offline e como essa relação afeta os momentos de lazer deles. É um mundo novo, que terá implicações para as marcas a curto, médio e longo prazo, mas não podemos nos esquecer que ainda temos uma grande porcentagem da população que ainda pertence a outras gerações e tem suas maneiras de consumir.

*Marcos Giovanella é formado em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda pela PUCPR, MBA em Direção Estratégica pela Universidade Positivo e diretor da ADVB-PR.

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